15.10.11

Autotraição

O que estou procurando é não me trair. Porque quando me sinto traída por mim mesma, aí sim eu fracasso. É um sentimento inexorável, muitas vezes ambíguo, fica latente no peito, muito difícil de lidar. Mas precisa ser digerido lentamente, dolorosamente, e quando vem enfim o perdão próprio, humildemente visto-me da minha condição humana demasiada humana e sigo - alegre - adiante.

5.10.11

Autoficção

Outro dia li numa reportagem sobre o termo autoficção. Se trata de historias autobiográficas, mas com alguma (ou muita) invenção, onde não se sabe, deliberadamente, o limite entre a confissão e a criação. O depoimento verdadeiro e falso, ao mesmo tempo. Gostei. O que escrevo, ou pretendo escrever, não pode estar separado da minha vida, das minhas experiências. Só posso escrever sobre aquilo que conheço. Será? Escrevo e imediatamente duvido. A escrita também é uma porta para o desconhecido e para a liberdade. Minha vida é pouca e besta, portanto faço das memórias, dos sentimentos, das angustias, algo inventado, um buraco maior do que meu umbigo. Tudo é sempre modificado pelo tempo, pelo momento, pela lente de quem vê, pelo ambiente, pelo calor e pelo frio.  Minto descaramente pela beleza. Prefiro falar de essências, de perfumes. De coisinhas frágeis que se perdem na imaginação de quem escreve e de quem ler. Invento dores e amores. Imagino um passado e subverto-o. Faço existir um não tempo e um não espaço. E é tudo verdade verdadeira. Esse é meu poder e meu regozijo. Crio minhas histórias e meus personagens assim como imagino minhas entranhas - não posso vê-las, mas sei que estão bem vivas lá dentro. Invento minha própria jornada, subo ladeiras e desço montanhas, fico na beira do abismo, sou heroína e algoz, sou protagonista da minha vida/estória.